Sábado, 17 de Março de 2012
Vencer (Vincere) 2009
Há um segredo na vida de Benito Mussolini (Filippo Timi): uma mulher, Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno), e um filho, Benito Albino, que nasceu, foi reconhecido, e. logo depois, renegado. É uma página negra da história da Itália, ignorada na biografia oficial do Duce. Quando Ida conhece Mussolini em Milão, ele é um fervoroso socialista que pretende orientar as massas contra a Igreja e a monarquia. Ela acredita nele e nas suas ideias, e vende tudo o que tem para financiar Il Popolo d`Italia, um jornal que Mussolini funda para ser o núcleo do futuro Partido Fascista. Quando a Primeira Guerra Mundial irrompe, ele alista-se no Exército e desaparece. Ao reencontrá-lo algum tempo mais tarde casado com outra mulher, Ida exige os seus direitos como verdadeira esposa e mãe do seu filho primogénito.
Obra-prima é o modo como muitos cinéfilos enchem a boca para se referirem a vários filmes do passado, e que é uma definição cada vez mais escassa para filmes contemporâneos. Vencer, mais um trabalho de Marco Bellocchio, se não é propriamente uma, então é quase.
Trata-se de um estudo acerca do aparecimento e transformação de um homem em mito − numa alteração não apenas psicológica, mas sobretudo física. Protagonista da primeira metade do filme, após o momento em que Mussolini (interpretado quando jovem por um Filippo Timi cheio de garra e fúria) finalmente entra para os livros de História, ele passa a aparecer em Vincere apenas em imagens de arquivo, bustos ou fotografias. O filme é transformado então por Bellocchio numa forma bastante particular de pesadelo, de maneira que a história política pareça se transmutar num estranho filme de terror. O desempenho do ator que interpreta Mussolini é soberbo num filme em que tudo parece levar a algum tipo de deformação, apresentando o ditador italiano como verdadeira figura mutante de horror. Com o tempo, Vincere acaba se tornando um filme sobre a loucura, o abandono e o desespero, assumindo o ponto de vista de Ida Dalser, que adorou o futuro ditador e a quem entregou todo o seu património, e que por sua vez a anulou como se ela nunca tivesse existido, como um fantasma (ou menos do que um fantasma, como a própria Ida se define). O filme de Bellocchio é exactamente sobre isso, um filme político de horror em torno de monstros e fantasmas.
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Bom Dia, Noite (Buongiorno, Notte) 2003
Em 1978, Aldo Moro (Roberto Herlitzka), o líder da Democracia Cristã, foi raptado e morto pelo grupo extremista Brigada Vermelha. Chiara (Maya Sansa) faz parte do grupo de raptores. Levando uma vida aparentemente monótona no trabalho, Chiara secretamente envolve-se no grupo radical de esquerda. À medida que cresce o seu fascínio pela vida utópica ela passa a enfrentar problemas com os seus companheiros de luta, devido à força destrutiva que possuem todos os que os cercam.
Chiara é o centro da trama. Os seus pensamentos, sentimentos, sonhos e ilusões é que são o "fio condutor" da história. Compreende que o assassinato de Moro não levaria a nada, não traria a vitória do proletariado. O ideal - O Estado proletário, a pátria soviética – confunde-se com o real - uma sociedade em que os medos populares são totalmente manipulados pelos meios de comunicação.
A influência da TV é tão grande que começa a perturbar a mente dos "terroristas". Sendo ela a única janela dos raptores para o mundo exterior, veiculam os desejos reacionários do povo alienado, a influência da Igreja Católica nas negociações, e exaltam a nação contra o terrorismo comunista.
A narrativa é entrecortada, não-linear. Faz-se de modo não explícito, o que dificulta o compreendimento da história. Enquadra-se na escola europeia de cinema, que no final dos anos 50 congregou ao cinema um aspecto muito mais subjectivo, filosófico e fenomenológico: a acção que se desenvolve e o olhar que a registra são duas realidades distintas, mas que ao mesmo tempo, compõe a obra, auto-analítica, crítica e subversivamente.
Mais um belo filme de Marco Bellocchio.
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A Hora da Religião (L'ora di Religione) 2002
Descodificando, o "thriller da alma" e a "blasfémia": Ernesto (Sergio Castellito) é um ilustrador, separado da mulher, com um filho, ateu, um homem que voga ao sabor do caos de hoje. Até que um dia lhe aparece em casa o secretário de um cardeal a informá-lo que a mãe, que foi assassinada pelo irmão mentalmente perturbado de Ernesto, está a ser considerada para um processo de beatificação (e que isso já dura há três anos e Ernesto é o único da família a não saber). O que se segue é algo à beira da alucinação, como se o ateísmo de Ernesto tivesse a ser posto à prova por forças ocultas e pela intromissão de um outro tempo. Será que ele vai ceder? (é o lado "thriller", mas "L'Ora di Religione" é também um filme de terror). É uma obra terrível sobre a família como lugar de aniquilamento. Formalmente rigorosa, à beira do insondável, mantém as figuras aprisionadas no "chiaroscuro".
Marco Bellocchio falou assim do seu filme: "é um thriller da alma". Não podia haver imagem mais justa (e deslumbrante) para a singularidade de "L'Ora di Religione", filme de um dos nomes de proa do cinema italiano dos anos 70 que ao longo das últimas décadas tem continuado activo mas sem escapar à ideia académica de "autor" europeu com "tema". Resumindo: não haveria muito a esperar de um nome que evoca sobretudo episódios polémicos e distantes ("O Diabo no Corpo", em 86). Bellochio não só se mostra capaz de voltar a desencadear a actividade dos censores — e acusações de "blasfémia" do Vaticano, que levaram a que o filme não pudesse ser programado em salas italianas que pertencem à Igreja — como gerou a aclamação da crítica do seu país.
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Sexta-feira, 16 de Março de 2012
O Diabo no Corpo (Diavolo in Corpo) 1986
Com o noivo mafioso preso por motivos que nunca são claramente mostrados, a belíssima Giulia (Maruschka Detmers) atrai a atenção de um estudante (Federico Pitzalis), entregando-se a uma relação que não tem nenhuma perspectiva de durar. O pai do rapaz alerta-o para o facto dela ser mentalmente instável e propensa a imprevisíveis ataques de raiva, mas quem é que consegue meter juízo na cabeça de um rapaz de 18 anos numa altura desses?
Famoso pelos seus filmes com um forte teor político, o italiano Marco Bellocchio adicionou ao tema uma dose (grande) de erotismo. Houve um furor enorme durante o lançamento deste filme, em Itália, um dos primeiros exemplos do cinema contemporâneo em que uma actriz estabelecida e conhecida (Detmers) protagonizava uma cena de sexo explicíto. O resto desta longa-metragem traz-nos um belo olhar contemplativo sobre uma improvável história de amor. E se há uma coisa que o realizador Bellocchio faz bem é aproveitar a silhueta estonteante de Maruschka Detmers, uma actriz irresistível, de sorriso contagiante. Ele só foi longe demais na cena polémica, uma sequência bem explícita de sexo oral. Cena essa que trouxe muita censura ao filme, e pode ter estado na origem de muitas criticas negativas que o filme teve. Mas é um Bellocchio puro.
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O Monstro na Primeira Página (Sbatti il Mostro in Prima Pagina) 1972
1972, Milão. Estamos a apenas a alguns dias antes das eleições gerais. A filha de um conhecido professor é encontrado morta. Bizanti, O editor-chefe do jornal "Il Giornale", seguindo instruções do seu proprietário, o Sr. Montelli, decide colocar a seguir a história o jovem Roveda e o experiente Lauri. A certa altura, as provas indicam que o possível assassino seja o senador Boni. A "velha guarda" do "Il Giornale" dirige artigos com o fim de incriminar o senador Boni, mas o jovem Roveda não desiste e continua a procurar a verdade.
A principal lição a tirar do filme é o seu realismo, a milhas de distância do ponto de vista dos jornais de Hollywood, mesmo quando tenta ser crítico. O personagem do editor do jornal cínico (interpretado por Gian Maria Volonté) é um retrato brilhante e preciso do pior jornalismo manipulador. Um brilhante filme de Marco Bellocchio, mais um perdido no tempo.
Legendas em inglês.
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Em Nome do Pai (Nel Nome del Padre) 1971
Este é um dos ataques mais ferozes ao poder, religião e autoridade. Bellochio, um dos realizadores mais inflexíveis de Itália, dá-nos neste Em Nome do Pai um exame cáustico da forma como as instituições autoritárias operavam roubando às pessoas a sua individualidade.
O filme fala-nos de uma instituição jesuíta para delinquentes ricos e concentra-se em Angelo (Yves Beneyton) um aluno rebelde que, eventualmente, confronta a autoridade religiosa. Há aqui temas também encontradas na obra de Vigo "Zero de Conduite", e no filme de Lindsay Anderson "If..." mas o tratamento de Bellochio gera uma exposição mais poderosa e contundente dos valores da classe média geralmente incorporados em instituições como a Igreja, o Exército ou a família. Mas, como acontece no cinema italiano, principalmente - o melhor embaixador do flime político - há no filme de Bellochio uma veia política muito importante, mas habilmente velada de implicações políticas, que lembram os primórdios de Pasolini e Bertolucci. A influência gradualmente descendente da Igreja, bem como o estado "antes da revolução" em que a sociedade italiana se viu tantas vezes, agora está a ser substituída por outra forma de capitalismo, e de opressão.
Bellochio, de uma forma Buñueliana, evoca imagens surreais que dão a Em Nome do Pai uma atmosfera estranhamente bela, cheia de uniformes de couro preto, combinando perfeitamente inovação estilística com teor subversivo. Uma obra-prima menor, polémica e anárquica.
Legendado em inglês.
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Quarta-feira, 14 de Março de 2012
Amor e Raiva (Amore e Rabbia) 1969
Cinco parábolas do Evangelho revistas por cinco grandes realizadores. Em "Indiferença" de Carlo Lizzani, um homem envolvido num acidente de automóvel em Nova Iorque pede ajuda perante a indiferença dos que passam. Em "Agonia" de Bernardo Bertolucci, um bispo à beira da morte apercebe-se que passou por esta vida sem ajudar ninguém. O terceiro filme chamas-se "A Sequência da Flor de Papel" e é realizado por Pier Paolo Pasolini. Nele, um homem passeia por Roma com uma flor de papel na mão sem se aperceber da infelicidade que o rodeia. Em "O Amor", Jean-Luc Godard conta-nos a história do amor impossível entre a revolução e a democracia, personificado num realizador italiano e numa jovem francesa. Por fim, em "Discutamos, Discutamos" de Marco Bellocchio, um grupo de estudantes de esquerda da Universidade de Roma interrompe uma aula com os seus discursos comunistas e acaba agredido pelos colegas da direita e pela polícia.
Amor e Raiva é uma coleção de cinco histórias de diversos realizadores que estão interligados por um único tema. Cada realizador escolheu um versículo da Bíblia e, transforma o material num conto moderno sobre a moralidade. Não é propriamente a melhor obra de nenhum destes realizadores, mas não deixa de ser uma curiosidade.
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A China está Perto (La Cina è Vicina) 1967
Dois amantes da classe trabalhadora - uma secretária e um contabilista, planeiam um golpe casando com alguém da classe rica. Os seus alvos são um professor, Vittorio Gordini Malvezzi (Glauco Mauri), que concorre para a câmara municipal como um candidato socialista, e a sua irmã Elena (Elda Tattoli), uma grande dama que permite a todos os homens da cidade se aproximarem dela, mas não se casa porque socialmente situam-se todos bem abaixo. O irmão mais novo destes dois, Camillo, um seminarista de 17 anos de idade convertido em maoísta fornece o título a este filme, quando escreve "La Cina è Vicina" (A China está perto) nas paredes da sede do Partido Socialista, a sede da campanha do seu irmão.
A china está perto/La cina è vicina (1967), anunciava Marco Bellochio assim como quem tenta resumir no título de um filme a sensação de que uma qualquer coisa semelhante à revolução cultural propagada por Mao estava por acontecer no cinema. Marco Bellocchio retratou com mão certeira o fascínio dos jovens burgueses em crise de identidade pela revolução cultural maoista. Fora do maoismo, pas de salut, era a mensagem do filme La Cina è Vicina. Sabe-se o que é que deu esse fascínio pelo exotismo maoista, as Brigadas Vermelhas, mortes, terrorismo, crimes, vítimas inocentes. Foi esse maoismo europeu e burguês fascinado pela grande marcha e os genocídios perpetrados pelo Mao e seus subordinados que assassinou Aldo Moro, político demasiado avançado e demasiado honesto para o seu tempo. Político honestamente burguês, alheio às fantasias exóticas dos jovens das boas famílias italianas.
Tal como acontece com o filme anterior,"I pugni in tasca", esta é uma comédia muito negra, onde todo o moral, crenças e étnias não são dignas de muita admiração. O jovem Bellocchio tinha uma visão bastante sombria da natureza humana, e a forma superficial, manipuladora como nos usamos uns aos outros, a nossa sexualidade e as nossas emoções. Um excelente segunda obra, e um filme bastante raro.
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26 de Março - Cyberpunk
A partir de dia 26 de Março começa aqui um grande ciclo dedicado ao Cinema Cyberpunk. Um dos objectivos deste ciclo é de recuperar muitos clássicos da ficção-ciêntifica, como esse aí em cima. E muito mais...
Mais logo continua o ciclo Bellocchio.
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Segunda-feira, 12 de Março de 2012
Filmes pe(r)didos no "Sound + Vision"
Fui convidado pelo blog "Sound + Vision" para escolher e falar sobre um filme "perdido" no tempo.
Das dezenas de filmes que me passaram pela cabeça, que ficariam muito bem nesta rubrica, escolhi "Crazed Fruit", de Kô Nakahira.
Podem ler o meu texto aqui.
Muito obrigado pelo convite.
Das dezenas de filmes que me passaram pela cabeça, que ficariam muito bem nesta rubrica, escolhi "Crazed Fruit", de Kô Nakahira.
Podem ler o meu texto aqui.
Muito obrigado pelo convite.
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I Pugni in Tasca (I Pugni in Tasca) 1965
O cenário é uma casa no interior italiano e uma família totalmente desestabilizada. Um irmão mais velho – o "homem sóbrio" da casa – toma conta de um irmão torturado pela loucura, uma irmã que alimenta uma relação quase incestuosa em relação a eles, um irmão epiléptico e uma mãe cega. A comunicação entre eles é quase inviável, tamanha a angústia e a tensão que envolvem este ambiente familiar. Corpos arqueados, gritos, reacções violentas, brigas, tudo isto fica mais assustador com um ambiente sufocante e sufocado por objectos pesados, uma mobília excessiva, coisas velhas guardadas. A decadência do ambiente junto à loucura de toda a família mostra-nos a opressão na sua forma mais violenta, aquela que invade os corpos, impede a formulação de qualquer projecto ou tentativa de cura. Só existe o tédio, a reprodução constante do trauma e quase nenhuma possibilidade de sublimação.
Se pensarmos numa gradação, I Pugni in Tasca é o extremo mais sofrido no qual o molde da família burguesa é violentamente questionado. Nele (como em boa parte da produção dos anos 60), o tema da liberdade não deixa de vir à mente – mas, não existe ali nenhum espaço para ela, nem mesmo metaforicamente.
Uma violenta crítica á família e á burguesia, este filme de Marco Bellocchio é uma das mais poderosas primeiras obras da história do cinema.
Legendas em inglês.
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Domingo, 11 de Março de 2012
Ciclo Marco Bellocchio
Depois de ter feito os estudos numa escola salesiana, onde a sua irreverência o levou a ser considerado um rebelde, Marco Bellocchio cedo mostrou interesse pelo mundo do cinema. Na cidade onde cresceu frequentava assiduamente o cinema local, onde a paixão pelo cinema o levou a rumar a Londres, em 1959, para estudar fotografia.
De regresso a Itália, assina o seu primeiro filme, com vinte e seis anos de idade - I pugni in Tasca (1965), o qual foi logo notado pela crítica pelo seu carácter irreverente e anticonformista. No mesmo sentido os filmes que se seguiram: La Cina è vicina (1967) e Il popolo calabrese ha rialzato la testa (Paola) (1969).
Combativo, provocador e anticonformista, Marco Bellocchio tornou-se numa espécie de consciência crítica permanente das situações económicas, sociais e principalmente políticas, em Itália. E a força do seu inconformismo sempre se refletiu em seus filmes.
Os ciclos estão de regresso ao MOTM. Pelo menos por agora serão em modo mais reduzido, já que é mais moroso "conseguir" os filmes.
Esta semana será dedicada ao realizador italiano Marco Bellocchio. E até domingo serão aqui apresentados 9 ou 10 dos seus filmes. Espero que gostem, deixo-vos com imagens da obra de estreia: "I Pugni in Tasca". Poderá ser vista aqui no blog a partir de amanhã.
De regresso a Itália, assina o seu primeiro filme, com vinte e seis anos de idade - I pugni in Tasca (1965), o qual foi logo notado pela crítica pelo seu carácter irreverente e anticonformista. No mesmo sentido os filmes que se seguiram: La Cina è vicina (1967) e Il popolo calabrese ha rialzato la testa (Paola) (1969).
Combativo, provocador e anticonformista, Marco Bellocchio tornou-se numa espécie de consciência crítica permanente das situações económicas, sociais e principalmente políticas, em Itália. E a força do seu inconformismo sempre se refletiu em seus filmes.
Os ciclos estão de regresso ao MOTM. Pelo menos por agora serão em modo mais reduzido, já que é mais moroso "conseguir" os filmes.
Esta semana será dedicada ao realizador italiano Marco Bellocchio. E até domingo serão aqui apresentados 9 ou 10 dos seus filmes. Espero que gostem, deixo-vos com imagens da obra de estreia: "I Pugni in Tasca". Poderá ser vista aqui no blog a partir de amanhã.
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Hidden (Skjult) 2009
Kai regressa à sua cidade natal, depois de 19 anos fora, para o funeral da mãe e também para receber de herança a maltratada casa que esta lhe deixara.
Logo vem ao de cima memórias dolorosas de maus tratos maternos e a lembrança do irmão, Peter, que foi dado como morto por afogamento alguns anos antes. Quando uma jovem desaparece, os moradores suspeitam de Kai, e esse começa a desconfiar que Peter talvez esteja vivo.
Drama de terror norueguês que começa por parecer um filme de fantasmas, mas depois toma outro rumo. O argumento e a realização valem-se de truques velhos, misturando realidade e ilusão, e sequências de épocas diferentes sem identificá-las para confundir o espectador. A fotografia e a presença da natureza são o que há de melhor no filme.
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The Art Of Crying (Kunsten at græde i kor) 2006
Sul da região de Jutland, início dos anos 70. A vida não é fácil para Allan, um jovem de 11 anos. O seu pai é emocionalmente instável e tenta matar-se regularmente. A mãe tornou-se uma pessoa passiva e o irmão mais velho saiu de casa e a pequena loja de laticínios da família vai mal. Quando a irmã mais velha deixa de passar as noites no sofá com o seu pai, é a vez de Allan se esforçar para manter a família unida. O pai só tem prazer em recitar os seus famosos e eloquentes elogios fúnebres e assim fazer as pessoas chorarem em coro nos funerais. Só resta então ao menino ajudar para que haja funerais suficientes e assim manter seu pai feliz...
Baseado num romance autobiográfico de Erling Jepsen, este drama/comédia negra de uma família disfuncional ocorre no sul da Dinamarca, perto da fronteira alemã no inicio da década de 70. As interpretações são impecáveis e tivemos uma escolha sábia do realizador Peter Schønau Fog em deixar o jovem Allan, interpretado por Jannik Lorenzen, desempenhar o seu papel de uma maneira muito sutil e comedido.
Até agora continua a ser a única longa-metragem de Peter Schønau Fog.
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Deliver Us from Evil (Fri os Fra Det Onde) 2009
Um casal feliz, Peter e Pernille, e os seus dois filhos, regressam à sua cidade natal na província de Jutland, na escandinávia. Peter é advogado, Pernille é professora, e o plano é regressar para a felicidade rural para dedicarem-se inteiramente à família e a uma vida calma, tranquila, fora da grande cidade. A ajudá-los a renovar a sua casa recém-comprada está Alain, uma vítima de tortura na guerra das Balcãs. Alain apenas agora recuperou a sua fé na vida, e trabalha para restabelecer uma existência adequada. O irmão de Pedro, Josh, é o oposto. Viveu na aldeia toda a sua vida, e agora trabalha como motorista de camião - pelo menos quando não está a beber no pub local. A namorada grávida, Scarlet, tenta fazê-lo perceber que quer uma vida melhor. Mas o destino tem outros planos para ele. Atropela acidentalmente uma mulher idosa chamada Anna com o seu camião e consegue arranjar falsas evidências que apontam o dedo para Alain, transformando a felicidade calma rural em numa zona de guerra.
Superficialmente este é um thriller elegante que consegue ser, ao mesmo tempo, belo e brutal, com eventos que trazem à mente o filme de 1971, de Sam Peckinpah, Straw Dogs. Mas mantém um certo tom que o impede de alcançar o mesmo impacto emocional e psicológico do seu antecessor. O contraste da fotografia super-saturada, embora absolutamente deslumbrante, dá ao filme uma sensação artificial.
O realizador Hans Ole Bornedal, já anteriormente tinha realizado um filme de sucesso, Nightwatch. Este seria o primeiro filme de Lene Nystrøm, mais conhecida por ser a vocalista do grupo Aqua.
Legendas em inglês.
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Sábado, 10 de Março de 2012
Adolescente Perversa (Deep End) 1970
Um jovem de quinze anos de idade consegue arranjar um emprego num local de banhos públicos, onde se torna obcecado por uma colega de trabalho. Apesar dela ser comprometida, o rapaz faz o possível para sabotar a relação, a ponto de persegui-la, tornando-se cada vez mais desesperado pela colega.
Entre os pontos mais fortes deste filme, destaca-se a credibilidade do personagem Mike. É fascinante ver todos os lados diferentes da sua personalidade e sentir que cada uma soa a verdadeira, para um jovem da sua idade. Há momentos em que ele parece mais rebelde e até mesmo mais experiente, e depois há outros em que o jovem é imaturo, irresponsável, e emocionalmente fora de controle.
Deep End, produção inglesa de 1970, fábula urbana sobre a descoberta do sexo e do amor. Nada é mais delirante e psicótico do que o retrato construído por Jerzy Skolimowski neste filme, o seu primeiro em língua inglesa: onde a perda da virgindade representa o acto de corromper uma alma inocente que não tinha intenções maldosas, sendo o acto sexual como um vírus que modifica totalmente o modo de agir, fazendo um jovem tímido de 15 anos transformar-se num paranóico mortal.
John Moulder-Brown e Jane Asher brilham nos dois papéis principais. Asher que era mais conhecida como uma das namoradas de Paul McCartney.
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O Uivo (The Shout) 1978
A história é sobre um doente de um hospício que acredita ter o poder de matar alguém com um grito. Durante uma partida de criquete no asilo, o misterioso Charles conta a um escritor toda a sua história. Tudo começa quando ele conhece o casal Anthony e Rachel e se auto-convida para almoçar em casa deles. A partir daí, começa a brincar com os dois, levando-os à beira da loucura. Ele demonstra o poder do seu grito a Anthony e depois faz amor com Rachel. Anthony, no entanto, encontra uma maneira de fazer com que os poderes de Charles se voltem contra ele mesmo.
Embora menos conhecido do que alguns dos seus compatriotas polacos, Jerzy Skolimowski tem construído uma colecção de filmes única, embora pouco vistos, tanto na sua Polónia natal como fora do seu país de origem. Rodado em 1978, O Grito é um filme de terror britânico post-Hammer, que, talvez, faça lembrar mais os filmes de Nicolas Roeg, especialmente "Walkabout" e "Aquele Inverno em Veneza". Como os filmes de Roeg, é inteligente, ambíguo e um pouco lento, colocando muita ênfase no comportamento local - que neste caso é uma pequena aldeia no norte de Devon.
Por vezes parece um episódio bem dirigido de terror, da Hammer, mas o humor e a tensão entre os personagens ajudam a levar o filme acima dessa fasquia, e fazendo dele um dos mais interessantes trabalhos no género, dentro do cinema inglês. "The Shout" é ajudado pelo elenco de primeira classe, puramente britânico - Alan Bates no principal papel com Susannah York e John Hurt como o casal cujo relacionamento está lentamente a ser dilacerado por este estranho intruso. Bates, misterioso, domina todas as cenas, e York dá ao filme uma certa humanidade - apesar de nenhum dos personagens ser particularmente simpático.
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Torrents of Spring (Torrents of Spring) 1989
Em 1840, um jovem aristocrata russo, Dimitri, regressa a casa depois de uma longa viagem à Europa. Na Alemanha, ele apaixonara-se por uma humilde vendedora de doces, Gemma, que logo lhe retribui os sentimentos. Decidem então casar-se e, para financiar o evento, Dimitri volta à Rússia para vender propriedades da família. Lá encontra a sensual e perigosa Princesa Maria Nikolaevna, didivindo o coração e os desejos do jovem.
Timothy Hutton, Nastassja Kinski e Valeria Golino interpretam este triângulo amoroso na adaptação de Jerzy Skolimowski do romance de Turgenev, "Torrents of Spring". Um drama vazio, mas com um excelente guarda-roupa , que acaba por ser a maior razão para se ver este filme. De resto, é um dos filmes fracos de Skolimowski, mas que mesmo assim ainda conseguiu concorrer para a Palma de Ouro em Cannes, no ano de 1989. William Forsythe também participa no elenco.
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Sexta-feira, 9 de Março de 2012
Matadouro 5 (Slaughterhouse-Five) 1972
As diferentes etapas da vida de Billy Pilgrim (Michael Sacks) entrecruzam-se mas sem ligação ou continuidade. Billy é um sobrevivente do bombardeamento dos Aliados sobre a cidade alemã de Dresden durante a II Guerra Mundial. Este passado convive sem problemas com o seu presente, o de uma americano caucasiano de classe média que vive a sua rotina. Porém, Billy tem outra inquietante faceta que também procura uma lugar na sua existência: tendo sido sequestrado pelos habitantes do planeta Trafalmadero, ele é exibido no Jardim Zoológico local como um ser extra-planetário.
Adaptação para o cinema do famoso romance de Kurt Vonnegut Jr. que mistura ficção, comédia, drama e aventura para contar a história do obsessivo Billie Pilgrim. Matadouro 5, de George Roy Hill, foi vencedor do Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Cannes.
Uma obra perdida no tempo.
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La Vie Comme Ça (La Vie Comme Ça) 1978
Agnes deixa a escola e muda-se para uma casa em Bagnolet com a sua amiga Florence. Arranja emprego como auxiliar de escritório, e torna-se representante do pessoal depois de uma colega ser demitida por resistir aos avanços do seu superior lascivo...
Como protegido do gigante da Nouvelle Vague Eric Rohmer, Jean-Claude Brisseau procurou, desde o início da sua carreira, explorar as questões sócio-culturais de uma maneira firme, nunca se esquivado dos detalhes sensíveis ou desconfortáveis. A estreia de Brisseau deu-se em 1978, com este La Vie Vomme Ça, que foi filmado em 16mm para a televisão francesa e, portanto, depende de uma estética, bastante bem polida.
Brisseau mergulha nos direitos das mulheres e nas preocupações sobre o mundo do trabalho feminino e, assim, antecipa em um ano o sucesso de Norma Rae. Maria-Luisa Garcia interpreta Agnes Tessier, uma jovem que deixa a escola para trabalhar numa fábrica química, onde terá de lidar com todos os problemas que uma mulher lidaria no mundo do trabalho nos anos setenta, incluindo o assédio sexual.
Um filme bastante raro.
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