Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Nelson Cavaquinho (Nelson Cavaquinho) 1969



Nelson Cavaquinho documentário a preto e branco e 35mm sobre o famoso sambista. Rodado em 1969 pela lente de Leon Hirszman, um Nelson Cavaquinho de 59 anos de idade é apanhado a divagar as suas impressões sobre a música e a vida na sua casa, no dia-a-dia tranquilo de Bangu, caminhando pela vizinhança, e principalmente, cantando com sua embargada voz, o indefectível dedilhar do seu violão (tão irresistível de se imitar, para quem é violonista) e um olhar comovente que consolida de vez o caráter comovente da sua poesia popular.
Essa poesia, por sinal, é o principal meio utilizado por Nelson para expressar os valores da sua personalidade altruísta a cantar o samba Caridade, onde confessa: “não sei negar esmola a quem implora a caridade, me compadeço sempre de quem tem necessidade”. Ou também para dissipar as suas perspectivas sombrias a respeito da morte como em Eu e as flores: “Quando eu passo perto das flores quase elas dizem assim: Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim”; ou do conselho dado no samba Revertério “Do pó vieste e para o pó irás, neste planeta tudo se desfaz; não deves sorrir do mal-estar de alguém porque o teu castigo chegará também”.
As intervenções musicais do próprio Nelson são bem à vontade, sem camisa, na sua casa ou a beber, com o seu violão, é o que o filme reserva de mais bonito.

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